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Domingo, Fevereiro 27, 2005
O Garoto Que Voltou
Capítulo 13 – Seis meses
O saldo daquela empreitada foi o seguinte: Ricardo ficou com aquela estranha caixinha cinza e a fita de vídeo; Brenda e Thomas, embora refeitos do susto, não queriam mais saber daquela história. A identidade daquela estranha garota permanecia um mistério. O conteúdo da caixa que caiu sobre a tina de água, no porão do laboratório, continuava desconhecido. Enquanto isso, a vida seguia seu rumo para todos nós. Eu continuava estudando e namorando com Helena. Finalmente fiz amizade com o irmão dela, Evandro, o que foi um alívio. O sujeito, apesar de calado, se revelou uma ótima pessoa. Além disso, dado a sua fama por ser violento, era melhor tê-lo como amigo do que como inimigo. Matheus era outra história. Antes de cita-lo, é melhor comentar o que aconteceu com os chamados heróis, aí incluído o 'guru' José Freire, em Marbla City. O que todos sabiam, até o momento, era o que aparecia nas notícias de jornais, revistas e noticiários da televisão. Poderia ser verdade, mas Matheus e sua irmã, Mathisse, eram os primeiros a discordar, preferindo acreditar numa espécie de conspiração. A equipe, apelidada pela imprensa de "Vampiros Mutantes", mas na verdade composta por um grupo de jovens normais, alguns com habilidades especiais, se instalaram na cidade de Marbla City para investigar o garoto incomum que havia virado notícia da noite para o dia. Finalmente era revelada a identidade daquele garoto. Seu nome era Skip Robinson, e pelas fotos divulgadas, parecia uma versão em miniatura de Matheus Guerra. Àquela altura, todos na cidade e na imprensa o chamavam de 'Mascote'. O "Mascote" de Marbla City. Durante a investigação da equipe, acompanhada de perto pelo Dr. Scott M. Kelly, do Centro de Pesquisas de Marbla City e por José Freire, um acidente parece ter posto em risco a vida de todos ali. Segundo informações divulgadas pela repórter Iva Spadari, que estava na cidade, um incomum que residia nas instalações do Centro de Pesquisas ativou dispositivos que foram descritos como armamento bélico pesado. O resultado foi uma explosão que varreu a cidade e que destruiu cerca de 80 por cento de toda a cidade. A repórter Iva foi salva por um outro incomum que era amigo de Skip Robinson e que chamava-se Pinnotti. O evento ficou conhecido na imprensa como o Cataclisma de Marbla City. Nenhum dos chamados 'heróis' parecia ter sobrevivido. Não havia nenhum sinal de José Freire, Skip Robinson ou mesmo da criatura que havia causado o desastre.
Seis meses se passaram.
Os 'heróis', que foram dados como mortos, reapareceram de repente, instalados num edifício vertical, a meio caminho entre São Paulo e Marbla City. Estavam, portanto, próximos de Nova Indaiacicaba D’Oeste. Ninguém sabia quantos deles haviam sobrevivido. Ninguém ousava chegar perto. Dizia-se que eles escondiam lá o corpo da criatura que havia destruído Marbla City. Diziam também que eles ganharam proteção governamental. Aliás, dizia-se muita coisa, mas eram apenas especulações. Mas nada aquilo importava para mim. Para Matheus, no entanto, importava muito. Desde que Skip Robinson, o tal do 'Mascote', foi dado como morto, Matheus decidira pegar emprestado o apelido, como se fosse um tipo de codinome, ou nome de guerra.
Enquanto isso, durante os últimos seis meses, Thomas, Ricardo e Brenda não tocaram mais naquele assunto. Um pacto não-verbal havia sido criado. O fato não era comentado. A caixa nunca mais fora citada. Até uma certa manhã, quando Thomas acordou com o toque do telefone. Era fim de semana, e portanto não havia compromisso nenhum. Quem o incomodaria tão cedo? - Thomas, é o Ricardo. Descobri pra que serve a caixinha. Mas preciso da sua ajuda!
Enviado por
Mascote
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