|
| |
Domingo, Janeiro 16, 2005
O Garoto Que Voltou
Capítulo 12 - Aquele Que Tudo Vê
Do lado de fora do laboratório de Zé Freire, Thomas aguardava impaciente dentro de seu carro, enquanto os amigos Ricardo e Brenda exploravam o local. Do lado de fora, Thomas não podia ouvir nada, nem mesmo um ruído ou voz. Se pudesse, ouviria um sussurro vindo do porão:
- Me... ajuda!
Ricardo procurou e logo encontrou um outro interruptor, mais próximo da jaula. O lugar todo iluminou-se e então os dois puderam ver: dentro da jaula, havia uma garota, de aproximadamente doze anos, loira, baixa, e com um rosto que lembrava o de Zé Freire. Pela aparência, estava fraca, visivelmente desnutrida. Há quanto tempo estaria presa ali. Dias, semanas, meses?
Brenda estendeu o braço para alcançar o da garota, e perguntou:
- Qual é o seu nome?
Mas antes que houvesse qualquer resposta, a garota puxou o braço de Brenda e a trouxe para junto da jaula. Em seguida, prendeu o pescoço de Brenda rente à jaula. Com a outra mão, apontou para Ricardo um conjunto de alavancas instaladas ao lado do interruptor. Ricardo hesitou, mas a garota apertou o pescoço de Brenda com mais força.
- Agora!
- Droga, Brenda... – grunhiu Ricardo, enquanto puxava a alavanca, sem desgrudar os olhos das duas. No entanto, na ansiedade de puxar a alavanca com rapidez, acabou acionando todas as alavancas instaladas ali, num total de três.
Naquele momento, Ricardo, apesar de tudo, não deixou de notar a complexidade daqueles aparelhos. A jaula onde aquela estranha garota estava presa começou a se desmontar, como se fosse um jogo de montar. Ferragens e dobradiças se retorciam, desfazendo a jaula até que dela só restante um bloco compacto de metal preso a uma haste no teto.
A outra alavanca ativada por Ricardo fez com que o caixote de madeira, que estava preso a uma corda, ao lado da jaula, se abrisse do lado de baixo. Seu conteúdo caiu tão rápido na tina de água que Ricardo mal pôde identificar o que seria. Parecia um imenso bloco de gelo.
A última alavanca fez uma série de holofotes se acenderem nos tetos do porão. Tudo se iluminou, e Ricardo pôde dar uma boa olhada na garota, que acabara de soltar Brenda. Ela se parecia bastante com Zé Freire. Mas o que impressionou Ricardo, além do fato de ela ser bem mais forte do que parecia, era a pelagem azulada que cobria boa parte dos seus braços e pernas. Saindo pelas costas, assim como acontecia com Matheus, uma cauda peluda, só que de cor azulada. A estranha garota atravessou o porão e desapareceu subindo as mesmas escadas por onde Ricardo e Brenda haviam descido.
- Consegue andar, Brenda?
- Consigo.. – disse a garota, enquanto massageava o pescoço, dolorido. Antes de se levantar, no entanto, apontou para um pequeno monitor de tv do outro lado do porão. Nesse instante, ouviram um estrondo vindo de cima, mas decidiram ignora-lo por enquanto.
Os dois aproximaram-se do monitor, e então perceberam que o local estava sendo filmado enquanto estavam ali dentro. Não sem alguma dificuldade, Ricardo logo encontrou a fita que gravou toda a movimentação do porão, e a meteu dentro da jaqueta. Preparava-se para sair, quanto Brenda trouxe até ele uma estranha caixinha cinza, repleta de botões, um pouco maior que uma câmera fotográfica. Uma pequena etiqueta na parte inferior da caixa dizia apenas: “Oscar N.”. Por um instante, Ricardo esforçou-se em lembrar onde ouvira aquele nome. Mas o sentimento de urgência em sair dali falou mais alto, e logo os dois saíram pela porta da frente, levando a caixinha e uma fita de vídeo.
Quando saíram pela porta da frente e não encontraram Thomas em seu carro, pensaram no pior. Ricardo, que tentava ser prático e não entrar em pânico, contornou o perímetro do lugar, e logo encontrou o amigo desfalecido no gramado, diante de uma parede que acabara de ganhar uma janela.
Enviado por
Mascote
| |