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Sábado, Dezembro 04, 2004
O Garoto Que Voltou
Capitulo 10 – "Fedeu!"
Enquanto aguardava no carro, Thomas começou a observar os arredores do prédio que servia de casa ou laboratório para José Freire. Era um bairro afastado de Nova Indaiacicaba D’Oeste, praticamente nos limites da cidade. A estrada por onde vieram era de terra batida, e não havia um vizinho num raio de quilômetros.
Meia hora depois de Ricardo e Brenda terem adentrado a casa, Thomas já estava impaciente. Mas não o suficiente para ir atrás dos dois. Ao invés disso, preferiu sair do carro e observar ao redor do prédio.
A construção era antiga, e tinha um aspecto que lembrava um depósito abandonado. Se José Freire chamava aquele lugar de casa, então poder-se-ia acrescentar mais um dado para as excentricidades daquela figura.
Nos fundos do laboratório, Thomas não encontrou nenhuma abertura, porta ou janela. Encostou os ouvidos na parede, na esperança de ouvir algum ruído ou as vozes dos amigos. Por alguns instantes, não ouviu nada, e ia começar a procurar outro lugar para perscrutar, mas um odor fétido pareceu invadir o local. Era o pior cheiro de esgoto que Thomas jamais sentira. Olhou para os arredores, na esperança de ver algum bueiro ou córrego próximo, mas sem sucesso.
Antes que o odor se tornasse insuportável, Thomas começou a fazer o caminho de volta à fachada do lugar, mas um ruído vindo de dentro o deteve. Pareceu a ele que o barulho vinha de um lugar que seria o porão, mas ele não tinha certeza.
Estava a poucos centímetros da parede, e ir encostar o ouvido para tentar escutar algo, mas antes que o fizesse, um estrondo arrombou a parede e o jogou no chão.
Algo o havia derrubado. Esse 'algo' tinha mais ou menos o seu tamanho, e seus olhos os encaravam, apreensivos. Era humano, com certeza, mas... diferente. Thomas sentiu mãos que mais pareciam garras segurando seus braços, e o peso daquela coisa o mantinha no chão. Acima de tudo, Thomas sentiu algo de familiar na estranha figura, como se já a conhecesse.
Mas antes que pudesse confirmar qualquer suspeita, foi atingido por uma cabeçada, que o deixou desfalecido. Quando acordou, tinha certeza de que havia passado pelos menos alguns minutos, mas foram poucos segundos, tempo suficiente para Ricardo e Brenda o encontrarem, mais assustados do que quando entraram.
Apesar do susto, os três só abriram a boca quando estavam a quilômetros do lugar. Tinham uma pressa imensa em desaparecer daquele lugar. E apesar de tudo, era Thomas quem dirigia o carro, pois era o único que sabia dirigir. A cabeça ainda latejava, embora a dor fosse temporária.
- O que foi aquilo? – perguntou Brenda.
- Seja lá o que for, não era humano. – respondeu Ricardo. – E você, Thomas, viu também? O que achou?
- Eu não sei... parecia com...não parecia com o Matheus?
- Era peludo, com certeza. Mas tinha uma cauda também?
- Peluda. – corrigiu Brenda. – Era uma menina. Mas não vi se tinha cauda.
- E o que é isso na sua mão, Ricardo? – interrompeu Thomas, apontando para uma fita de vídeo e uma estranha caixinha que Ricardo carregava. – era isso que vocês procuravam? E o José Freire, não estava lá?
- Calma, vamos parar num lugar seguro e aí contamos tudo. Certo, Brenda? – disse Ricardo, demonstrando um olhar de censura para Brenda.
Enviado por
Mascote
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